quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Meio desligado. Muito ligado!

"...se eu fosse desse planeta, se me adaptasse às tendências, se me inserisse nos contextos da social subsistência, se não tivesse experiência, se rodasse na moda, rolasse com a roda, não seria mais que um produto, do que mais um modelo daquilo contra o que sempre luto.”

                                     Alexandre Revoredo

segunda-feira, 29 de outubro de 2012



"Dois pedintes, perdidos
Dois pedaços de gente
Dois pedaços de alma,
Despedaçados
Dois pedaços de nada
Pedindo,
Implorando pelo pão
Dentes despedaçados,
Sonhos despedaçados.
Pela vida despedidos,
Demitidos da moral.
Delito maldito,
Midiático,
Sensacional.
Um cachorro a tiracolo,
cachorrada social,
vira-lata, vira lixo,
vira nada, virou bicho.
Dois pobres, depenados
De dar pena,
De dar dó
Dividindo com o mesmo hipócrita,
Um mundo só."

Alexandre Revoredo





"...eu sou o resto do mundo, eu sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo, eu sou o resto, eu não sou ninguém." (Gabriel, O pensador)

Delimites


Hoje, recriei o mundo,
delimitei as medidas que não lhe cabiam,
tracei distancias entre o certo e o lógico,
o erro e o acaso,
acusei os limites nas estradas curvas da razão,
curvas sinuosas,
atribuí peso ao amor,
mal me segurei em pé,
abreviei as capacidades da memória,
subtraí da alma a experiência
dando conta do que se foi aprendido,
apreendido,
mostrei os efeitos dos tapas da vida
e os desdéns da indiferença,
a carcinosidade do orgulho
e a inexplicabilidade da crença.
Descobri que o tamanho das coisas
não está nos olhos,
mas em nossa cabeça.

Alexandre Revoredo

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Eu sempre achei bonito quem gosta de ler. Aquela pose de intelectual, olhando por baixo dos óculos de grau. Tinha uma inveja danada, achava que pessoas assim sabiam de tudo na vida, e eram felizes, enganando os outros, fazendo de conta que não sabiam de nada. Felizes sim! E como explicar a cara satisfeita daquela mulher que vinha todo dia no ônibus lendo?! Toda semana um livro diferente. Parecia que comia livro. E a indiferença daquele senhor de boina que nem via o que tava acontecendo no ônibus quando tava lendo?! Parecia que tava noutro mundo. Teve uma vez que dois moleques assaltaram o cobrador e o senhor nem percebeu, nem viu. Fiquei bestinha. Pensei que se era fácil fugir assim do mundo, desse aperreio, dessa desesperança, eu ia aprender a ler. Achava mesmo que tava perdendo alguma coisa. Num sabia o que. Queria descobrir. Nem pai, nem mãe eram letrados, nunca estudaram. As coisas lá no sítio não eram fáceis. Deu trabalho pra eu estudar, mas eles faziam questão, diziam que eu era inteligente. Ainda bem que arrumei esse emprego na escola, gosto de cozinhar, no meio do mês acaba a merenda das crianças mesmo, me sobra tempo pra ler. Até que já tô lendo direitinho, embora num consiga entender umas palavras. Aquelas que a gente não usava no sítio. Aquele senhor me disse que se eu pegasse um dicionário e procurasse, além de entender melhor, eu até aprenderia mais. Segui o conselho, no começo me dava uma desimpaciência, mas depois acostumei. Ler é bom demais, e apesar de meu marido me condenar quase sempre, nem ligo, tô é me divertindo, e esquecendo meus problemas. Já notou como eu tô falando mais bonito?! Tá todo mundo dizendo.


Alexandre Revoredo

*Texto a revisar

segunda-feira, 17 de setembro de 2012


Não está para as formas
milimétricas métricas;
Nem para populares
ou intelectuais seculares;
Nem para o impetuoso literato
ou o anêmico acadêmico;
Nem para a menininha apaixonada
vestidinho em flor,
inocência bordada;  
Ou para o rapaz militante
preocupado, social,
politicamente atuante;
Não serve como auto-ajuda
na hora do Deus-nos-acuda;
Se cria palavras novas,
se fala palavras mudas,
retratos cotidianos,
ou imagens absurdas;
Não está aqui para deleite
nem tão pouco, como um enfeite
nem está para o olho que chora,
nem sequer para o olhar que ri.

A poesia não está nem aí!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A difícil vida fácil!

Estudar para estatística, comprar lingerie, ler Marx enquanto faz as unhas, trabalho de cálculo, academia, aeróbica (1 hora), anunciar nos classificados, malhação, agendar compromissos, escovinha enquanto lê a sessão de economia do jornal, atender clientes (4, só a tarde), depilação, acessórios sexuais, aguentar o gerente do banco, gordo, peludo e suado, trabalho em grupo, sexo grupal! Ufa! e há quem diga que essa vida de garota de programa universitária é fácil.


Alexandre Revoredo

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Poema expressionista abstrato vanguardista contemporâneo" ou "F de gramática e R de línguística"

"O frio esfria o fio, resfria a esfirra e o refri, ferra a farra, faz no ferro ferrugem e nos faz forrar o forro _ e o Cebolinha tloca as letlas."

Alexandre Revoredo 08/06/2011