quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Poema expressionista abstrato vanguardista contemporâneo" ou "F de gramática e R de línguística"

"O frio esfria o fio, resfria a esfirra e o refri, ferra a farra, faz no ferro ferrugem e nos faz forrar o forro _ e o Cebolinha tloca as letlas."

Alexandre Revoredo 08/06/2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Convite


Convite

Vem ser artista comigo...

Nosso domingo passa a ser na segunda

Nosso patrão, a gente dá um pé-na-bunda

Vem ser artista comigo...

Vamo sair pelo mundo, criando e representando,

cantando o que o povo sente, seja rindo ou chorando

Vem ser artista comigo...

No palco, no chão, e na vida, sem deixar cair o pano

E poder tornar eterno, qualquer dia, mês ou ano

Vem ser artista comigo...

pra bater perna no mundo, meio assim, feito cigano

e varar as noites nuas, felizes, esse é o plano

Vem ser artista comigo...

Ser feliz, fazer feliz, e a vida ir ganhando

O convite já está feito to apenas te esperando.

Alexandre Revoredo, 19/05/2011


Para Ster.



sexta-feira, 18 de março de 2011

Mea Culpa?

Choveu, raiou, gritou o trovão, é o planeta reclamando seu direito de cidadão, as cidades clamam, embaixo das casas, água em cima das casas, água. Passam pontes, viadutos, aos montes, crianças e adultos, nossas águas de março que agora são de todo o ano. Rezemos pra Nossa Senhora, sem hora pra orar, pra que caia somente uma chuva bem fininha, e não das chuvas que carregam a tua cama e a minha, que levam almas e corpos e vidas inteiras desconstruídas, indo e vindo nesse infinito mar de tristeza. É o mundo reclamando, é o solo estremecendo, é o mar se levantando, adentrando a terra, levando, lavando, ceifando sonhos.

domingo, 9 de janeiro de 2011

"Em boca fechada não entra mosquito"


Quem muito fala pouco ouve e por muito falar joga pérolas aos porcos. Perigo maior não é só ter a língua solta, é também falar o que não deve com quem não se deve, pois quem fala demais acaba esquecendo que a palavra é de prata e o silêncio é de ouro. Terrível mania essa de meter o pau nos outros.
Falar mal dos outros é fácil, difícil é falar bem, digo-lhes, pois quem avisa amigo é: “quem tem língua grande não sabe guardar segredo”. Os fofoqueiros são todos iguais, farinha do mesmo saco. E se em cada conto aumenta um ponto, o mal falador dificilmente mata a cobra e mostra o pau. É até capaz de se desculpar dizendo se sabes do que eu sei, cala-te que eu me calarei.
O fofoqueiro acha ruim quando leva o nome de invejoso, e esquece que quem fala demais dos outros em vez de comer filé, rói o osso. É mesmo como o povo diz: ele vê defeito em todo mundo, menos no próprio nariz. Mas quem fala o que quer, ouve o quer não quer e o mal falador num instante aprende que pimenta nos olhos dos outros é refresco.
Fala que só o homem da cobra e só se dá “conta” que falou além da “conta” depois que a vaca foi pro brejo. Mas como aqui se faz, aqui se paga não adianta chorar pelo leite derramado, pois a boa fama granjeia quem não diz mal da vida alheia.


(Stephany Metódio e Alexandre Revoredo)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O eterno aprendiz


Felizmente para o homem, tantas são as oportunidades dadas, quanto perdidas, e é dessa experiência que ele tira a matéria-prima do viver: o conhecimento. É através dele que o ser humano se molda e adapta às mais diversas situações.
Partindo do pressuposto que na vida não há ensaios, entende-se o ciclo de acertos e erros que desenvolvem o caráter humano.
O homem tem em seu raciocínio lógico, a capacidade de cálculo, e embora muitas vezes tropece em seus proprios vícios, consegue chegar ao objetivo desejado. Em contrapartida, com os erros, imprime-se na pele qual caminho não tomar para se conquistar determinados objetivos.
Ao longo da história, muitos erros foram cometidos e estes serviram de base e apoio para a construção de uma vida mais sólida e harmônica. É certo que não uma harmonia plena, mas de que adiantaria, a graça da existência é a busca por essa harmonia. Como cantou Gonzaguinha: "...cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...".
Muito ainda há de se fazer, de se aprender. Compreender o processo da vida é o maior desafio, que quando vencido trará respostas para grande parte dos problemas da humanidade. Aí então aparecerão mais outros. Mas enquanto existir, o homem ensaia a sua maior aventura: viver!

Alexandre Revoredo 29/11/2010

(texto na íntegra da redação apresentada ao vestibular 2011)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O boêmio-mor


Existem inúmeras coisas para se falar do Baiano, fatalmente a maioria delas apontará para situações hilárias, um certo desleixo e uma paixão exacerbada pela vida. Lembro de uma vez quando houve uma briga num bar e um cara queria bater na namorada, o baiano viu, interveio, e quem acabou preso foi ele mesmo, enquanto o cara que já tinha batido na namorada e xingado a polícia foi para casa livre, leve e solto. Lógico, não era intenção do baiano, ir em cana, apesar de ter entoado o grande hino reacionário estudantil “pra não dizer que não falei das flores”, bateu de frente com a polícia local, e pegou o sargento num dia daqueles de “ovo virado”. A galera, solidária, foi junto com ele para a delegacia, só não foram na viatura por que eram em número de 12. Aquela noite foi memorável, e só terminou na manhã seguinte quando todos comemoravam a soltura do baiano, regados a cerveja, café e cuscuz com leite, no Brás.

O baiano não é digamos assim, apegado a valores materiais, tradicional e sempre pontual (?), não vê motivos para possuir um relógio ou celular por mais de uma semana. Pra que se prender ao tempo? Pra que se permitir ser achado pelas pessoas mais inconvenientes nas horas mais inconvenientes? Lembro que eu mesmo, aficionado por relógios que sou, comprei um da marca “puma” pela bagatela de 10,00 reais e uma cerveja. Isso mesmo, o presente é uma dádiva e o que o baiano queria naquela hora era tomar aquela gelada e continuar a curtir a noite.

É assim desapegado das coisas materiais, as dele. As dos outros, sem querer acabavam por ser suas. Ajudou a fundar (afundar?) um bar, que era conhecido por “Bar do baiano” mesmo não sendo ele o proprietário. E por ser mesmo o “bar do baiano” é que a maloqueirada freqüentava assiduamente. Era uma espécie de Barman-Porteiro-administrador-cliente e DJ. Quase nunca deixava a música tocar por inteiro, o que causava irritação aos que curtiam o som, que era de primeira linha. O baiano é novo, e introduziu os Novos Baianos na discoteca cotidiana dos amigos, o baiano é do bem, e reafirmou a importância de Jorge Ben Jor na discoteca cotidiana dos amigos.

O baiano é do chá, e só ele mesmo para explicar como se faz suco de laranja com o ferro de passar roupa. Foi num dia, qualquer, tinha tomado um chá de não-sei-o-quê e desesperado com o efeito da coisa, num pequeno lapso da loucura lembrou que alguém tinha falado que suco de laranja cortava o efeito, e então, nu, com o ferro de passar na mão, pediu a mãe uma laranja pra fazer o tal suco.

Formado em administração para poder administrar suas rendas, ainda não consegue.

Todo mundo é convidado para a casa do baiano, mesmo quando não é a casa dele. Sociável, já dividiu apartamento com grandes figuras do folclore universal. A casa do baiano foi, é e será sempre uma festa, e a maior delas foi no dia de sua despedida, quando voltou a sua cidade natal, tivemos a infelicidade de vê-lo “mais uma vez” (sim, houveram outras) a dançar nu ao som de “I Will survive” (na versão do Cake, pelo menos).

O baiano é uma figura, daquelas que vez ou outra alguém comenta a sua falta, suas trapalhadas e principalmente suas presepadas. Artista, muito mais do que músico, está sempre disposto a tocar seu repertório de 6 músicas, muito bem escolhidas vale salientar, dono de uma voz inconfundível, de uma emoção inexprimível e de uma capacidade de sair do compasso, inexplicável.

Nos verões, está sempre nos convidando para passar uns dias na sua pousada em Salvador, “mi casa es su casa” é sempre o mote usado. Estou só esperando a primeira oportunidade pra curtir Salvador com o melhor guia turístico do estado, o baiano mais pernambucano que conheci, o boêmio-mor, o homem que não estava lá, o baiano Wilson.

Alexandre Revoredo 30/11/2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Os pequenos prazeres da vida (baseado em fatos reais)

Os pequenos prazeres da vida nós só percebemos quando sentimos, o cheiro gostoso do café da avó lá no sítio, a expressão de felicidade do filho ao ganhar o presente tão esperado, o resultado triunfante de semanas a fio de um determinado trabalho, a sensação de alívio de uma dor de barriga crônica. É sobre esse último que vou vos falar.

Estava eu, tarde da noite, voltando para casa, quando de onde não sei, senti aquele desconforto familiar entre o intestino delgado e o esfíncter. Pensei comigo mesmo: Merda! Naquela hora o centro da cidade todos os estabelecimentos comerciais já haviam fechado. Tinha acabado de chamar um táxi, mas imediatamente lembrei da situação que poderia ficar o banco do carro do rapaz, caso viesse a me sentar. Foi aí que senti o primeiro arrepio!

O primeiro arrepio é aquele em que você reza e evoca todos os santos por um banheiro, mesmo que você não creia em santos. Novamente olhei para os lados para me certificar que realmente não havia por ali um banheiro, na esperança que a minha agonia estivesse me pregando uma peça. Mas nada! Rapidamente me pus a pensar se poderia haver ali por perto a casa de alguma alma caridosa conhecida afim de ajudar um pobre desesperado. Ao fechar os olhos para pensar melhor, senti um pingo escorrendo...era o suor, que já começava a descer pela testa, daí veio o segundo arrepio! Nesse segundo arrepio, você esquece todas as suas religiosidades e parte para o inevitável palavrão: puta-que-o-pariu! É o mais indicado nessa situação.

Ajudado pelo desespero, imediatamente lembre-me de uma farmácia 24 horas que ficava há algumas quadras dali. Seguindo mais a intuição que o raciocínio, caminhei a passos largos em direção a farmácia, numa mistura de ânimo e angústia que só um atleta paulista prestes a ser o primeiro a cruzar a linha de chegada na corrida de São Silvestre, ou a seleção brasileira na copa de 2014 cobrando o último pênalti contra a seleção argentina poderia descrever. Logicamente acelerando-se o passo, acelera-se o metabolismo, e foi aí que aconteceu o terceiro arrepio! Este que é a sentença de morte, o triste fim, não tenho certeza se existe vida após a morte, mas creio que não exista após o terceiro arrepio. Não se pensa mais nada nessa hora, perde-se todo o orgulho, dignidade e bom senso, o que foi suficiente para chegar a bonita moça do caixa e balbuciar as últimas palavras que me restavam, no último resquício de consciencia: posso usar o banheiro?! Percebendo a gravidade da situação, a simpática e bondosa moça aponta a direção do corredor, ali onde estava o que seria para mim o paraíso. _ por ali moço!

Suando, corri mesmo sem poder correr, contraindo a saída de emergência, adentrei o banheiro já com o cinto e o botão da calça abertos, ainda há tempo de baixar a tampa da privada, mas já começou a escorrer algumas gotas, desta vez não era suor, mal me sento e puáááááá, tá-tá-tá-tá-t-a, puáááá, tá-tá, aquilo mais parecia uma recepção de membros de alguma facção da rocinha, a os policiais do BOPE. Despejo ali, todas as minhas angústias, agonias, o strogonoff do almoço, o chocolate quente da janta e, acredito eu, até a feijoada da semana passada.

Aliviado, já recuperando o fôlego e a consciência procuro o papel. Na hora do desespero, não havia observado antes de entrar que ali naquele pequeno banheiro nada havia além de uma privada e a porta. Se eu me levantasse, o que escorreria pelas minhas pernas não sairia nem com ácido-sulfúrico. Me pus a pensar e procurar na carteira algum papel que fosse dispensável, e que seria indispensável naquela agonizante hora; dinheiro, fotografias 3x4, uma nota fiscal, 2 canhotos de passagem e o telefone de uma garota que não fazia idéia de quem seria, nem o que fazia ali.

Lá se vão as passagens e o telefone da garota, ao dar descarga ainda pude observá-lo rodopiando por entre os degetos deixados ali em direção ao esgoto.

Provisóriamente limpo, pude correr ao banheiro feminino ao lado e procurar papel-higiênico. Banheiro de mulher é sempre mais organizado que de homem, e sempre há papel e espelho. Consegui trazer o papel e terminar o serviço. Aliviado, quase em êxtase, percebendo o prazer que vem depois do sacrifício, lavo as mãos com um sabonete de erva-doce que havia na pia do lado de fora, saí agradecendo a moça pela compreensão. Antes de sair ainda pude ouvir um funcionário que havia entrado no banheiro dizer: eita! Enterra que esse tá morto!

Alexandre Revoredo 10/11/2010